HISTÓRIA DA SPNP

Todas as histórias têm um principio, um meio e um fim. Na Neuropediatria estamos provavelmente no fim do principio. Em Julho de 1998 foi formalmente criada por escritura a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria . Pelo caminho ficou a pretensão de estarmos dependentes, como secção à Sociedade Portuguesa de Pediatria ou à de Neurologia. A criação de uma sociedade autónoma foi julgado o lugar certo para um grupo de médicos que exerciam uma actividade tão especifica e agora reconhecida como necessária e mesmo indispensável.

Desde sempre as doenças neurológicas da criança, tão únicas e tão diversificadas, foram objecto de atenção dos neurologistas que tinham uma prática desenvolvida essencialmente com doentes adultos, e dos pediatras que se achavam mais preparados para entender o mundo e as doenças das crianças. Ambos os grupos consideravam a neuropediatria como algo com identidade própria a merecer por isso formação apropriada. A partir desta dualidade em competição, surgiram duas dinâmicas que tiveram como resultado nos serviços de pediatria mais avançados a criação de consultas de doenças convulsivas, de doenças metabólicas, de laboratórios de electroencefalografia infantil nos finais dos anos 50. No outro campo, os neurologistas de adultos reconhecendo as particularidades da neurologia nas crianças aprofundaram os seus conhecimentos realizando estágios formativos essencialmente no Reino Unido. Esta foi a fase dos pioneiros que constituíram o embrião da actual neuropediatria. Os seus membros distribuíam-se homogeneamente por Portugal: o Dr. Orlando Leitão e a Dra. Karin Dias em Lisboa, o Dr. Luí­s Borges em Coimbra e a Dra. Cândida Maia no Porto.
 Durante uma década, a década de 70, a neuropediatria como a entendemos actualmente foi praticada por estes neuropediatras, mantendo-se no entanto nalguns serviços de pediatria as práticas até então desenvolvidas por pediatras de algum prestígio de consultas temáticas praticadas por pediatras.

O reconhecimento progressivo da especificidade da neuropediatria e o reconhecimento da actividade desenvolvida por aqueles neuropediatras veio a tornar óbvia a necessidade de mais neuropediatras que pudessem estender a sua actividade a todo o país mas também que aproveitassem os novos conhecimentos que cresciam dia a dia, não são no campo da neuropediatria, mas também na neuropatologia, genética, neurometabolismo e desenvolvimento.

A década de 80 é assim o momento de maior crescimento do número de neuropediatras, da sua diversificação e implantação definitiva. Mais uma vez, jovens médicos com formação neurológica e pediátrica, cheios de força e entusiasmo, partem para várias partes do mundo aprender a neuropediatria. Na Europa partem para Bruxelas, Paris, Geneve, nos Estados Unidos vão para Nova Iorque. Aprendem com os mais eminentes neuropediatras e recebem influências variadas que vão enriquecer pela sua diversidade o panorama da neuropediatria portuguesa. 
Todos eles regressam no início dos anos 90 quando começam a realizar-se de forma regular as reuniões de casos clínicos ou temáticas que ainda hoje perduram, realiza-se o primeiro congresso no Porto a que se seguem o de Lisboa e Coimbra. Esta segunda fase, chamemos-lhe a dos continuadores, chega agora ao fim. Tem de começar uma nova fase com os mais jovens neuropediatras que têm sobre si a enorme responsabilidade de continuar o trabalho mas de continuar a manter o prestigio da Neuropediatria portuguesa. As várias unidades de neuropediatria do país têm uma organização própria e diversificada. Podem estar constituídas em Serviços (Hospital de D. Estefânia em Lisboa, Hospital Pediátrico de Coimbra, Hospital de Maria Pia no Porto) ou serem Unidades dentro de Serviços de Pediatria. Nalguns hospitais os neuropediatras funcionam isoladamente. Devido aos interesses individuais de cada um, cada grupo dá especial atenção a esta ou aquela patologia mantendo todos eles consultas de neuropediatria geral. O modo de funcionamento de cada unidade não tem tido reflexos evidentes nos resultados que estão mais intimamente ligado ao número e qualidade dos membros das equipas.

Pensamos que o futuro da Neuropediatria está intimamente ligado à chegada de novos interessados a este campo tão aliciante e ainda cheio de mistérios da neuropediatria, porque são eles poderão dar novo impulso, não só à Sociedade de Neuropediatria como ao próprio tratamento das doenças neurológicas. Este novo impulso beneficiará dos contactos internacionais que não só individualmente os neuropediatras privilegiam, como também dos contactos institucionais que a própria Sociedade desenvolve, especialmente com os congéneres de língua castelhana.

Como dissemos no início a história da neuropediatria ainda está nos princípios e à medida que passos relevantes forem sido dados terão tradução nesta breve história da neuropediatria em Portugal.

- António Levy
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A Sociedade Portuguesa de Neuropediatria tem como objectivo a promoção, aprofundamento e divulgação de conhecimentos relativos à neuropediatria, e propõe-se a investigação na respectiva área, cooperação com organismos afins, nacionais e estrangeiros, informação dos poderes públicos dos problemas da especialidade, e propor soluções.
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